Ciúme

05/04/2024

Partindo de um desejo natural surge no ser humano o desejo tribalista de se conectar a um grupo de pessoas, a uma comunidade, de tal modo que possa satisfazer os nossos anseios entrelaçados as nossas necessidades mais intimas e/ou externas, ligadas a sobrevivência.

Mas em meio a tantas opções para que se possa ingressar, está fortemente interconectado dúvidas, tais como: qual o melhor? Qual o mais seguro? Qual o mais belo? Qual o mais fiel? Qual o mais resistente? Qual, qual, qual?

Diga-se que assim como um jovem rapaz procura por uma namorada, existe o homem que procura uma igreja, assim como Cristo procurou sua noiva em seu propósito celeste e eterno, em sua passagem aqui na terra.

Pagando um valor a preço da morte, de lastro infinito, por todo seu povo, conquistou para si inúmeros filhos, através da morte, constitui-se detentor por direito do resultado obtido por sua obra canônica realizada dentre os homens, frente todas instancias, desde os céus até o inferno.

Desse modo, o homem que procura ingressar em uma igreja traz consigo vários questionamentos, tal como o jovem rapaz que procura uma namorada para replicar o laço e aliança do amor como foi vinculado do mesmo modo o amor de Cristo que foi explicito pela sua noiva, a igreja.

– quando é dito a respeito da unidade, reconhecemos a coligação celestial das 12 tribos espalhadas desde a firmada antiga aliança.

É a partir desse homem que lida com diversas possibilidades que torna-se titubeante, pois surge uma responsabilidade que lhe trará consequências entrelaçadas a conexão que surge da relação entre homem/mulher, homem/igreja. Onde o padrão deveria basear-se na semelhança ao de Cristo/igreja.

Logo, temos: ação/consequência; daí o tamanho da importância que se dá, ou ao menos deveria, ser dado a esse momento, pois é um ato sacro.

Daqui partimos para outro ponto de vista, selecionamos o ciúme como sentimento principiante, tomando consciencia de que, os sentimentos são diretamente proporcionais a nossa relação resultantante do relacionamento com o próximo.

E dele falamos porque a partir deste podemos avaliar se nossas intenções estão baseadas numa escolha natural, ou seja, se podemos dizer e justificar que nossa escolha pode se desenvolver e fluir futuramente e naturalmente sem gerar atrito, ruido, destruição.

Mas porque o ciúme? Este sentimento é o comprovante para ambas as partes de que o objeto em estima, nesse caso, nossa escolha (tanto uma noiva, como uma organização religiosa), esta baseada em algo que nos gere valor e que tem que ser devidamente protegido e conservado, pois no menor sinal de ameaça a esse afeto mútuo faremos todo o possível para proteger, conservar, e salvaguardar aquilo que empregamos nossos recursos e dotes especiais para sua sustentação e manutenção.

Hora, se participamos de uma comunidade religiosa, é porque ao menos aos nossos olhos, fizemos, considerando, segundo nossa analise, a melhor escolha. Do mesmo modo, desejamos que um rapaz que enamora sua garota, quando lida com o ciúme, que este zele constantemente pela sua permanência.

Não é através do efeito gerado a partir do ciúme que se cria o ponto de partida para tomar uma atitude. Para absorver o impacto do maleficio que este sentimento, se mal gerido, pode causar, pode-se recriar estratégias de proteção a partir do vínculo de união, da amizade, da paixão, do romance:

"Além do bom senso, só um outro elemento pode parar as investigações do ciumento: o medo de ter que tomar atitudes que o façam perder definitivamente o amado. De fato, se ele não tem provas, e se atém apenas a suas elucubrações mentais, pode sempre convencer-se de que tudo não passa de delírio, e outro é "inocente". Esta convicção, ou semiconvicção, lhe permitirá deixar as coisas como estão, confiando em que a força do amor que dedica ao outro será suficiente para restabelecer o equilíbrio ameaçado." COLASANTI

Contudo, é bem mais fácil encontrar eventos mais bem parecidos com a expressão da manifestação dos efeitos proporcionalmente relacionados aos ciúmes, onde o lado precursor, não pondera o poder devastador de basear-se no efeito venoso de uma ação surtida como efeito direto deste sentimento.

Assim, um vínculo amoroso pode também resultar no avanço de um ciúme para ódio, rancor, perseguição, ameaça, chantagem, violência. Estes, são fatores que coloca a vida do que antes era amado (porque agora se torna vítima) em uma zona de perigo.

Para alguns, este é um momento disruptivo, onde a vítima, planeja e elabora estratégias para uma area de fuga, aí, recorre a meios que possa o livrar deste meio.

Mas ainda, existem outros que tentam e persistem neste elo (a possível vítima). Buscando soluções de diversas formas e diferentes meios, tentando elaborar um canal alternativo para alimentar a fonte de indignação existindo a probabilidade de recuperação do agressor(a):

Mas se depois de tanto cavar e procurar acabar encontrando a prova irrefutável da traição, não haverá mais como enganar-se. Será obrigado a enfrentar a realidade, e confrontar o outro. O resultado desse confronto. Em que forçosamente um dos dois se verá espremido contra a parede, pode ser o fim da relação. E ao ciumento, que procurando o confronto, ficara a culpa por ter precipitado as coisas, misturada ao alivio pelo fim da divisão, que se traduz na externa exclamação: "Eu sabia!" COLASANTI

Considerando os já ditos argumentos, sabemos que, o ciúme é como o leme de uma relação, que sua existência é um fator de existencialismo, natural, mas que não deve ser o piloto da relação, pelo contrário, deve ser regido a todo tempo pela força e temperança de quem constitui uma relação amorosa. O ciúme é o conservante dos matrimónios.

Entretando, também subentendemos que ele deve ser dosado em quantidade que não extrapole aquilo que é necessário para o elo VOLUNTÁRIO de uma relação:

Estranha condição do ser humano, em que um sentimento que nos causa tantos problemas é ainda assim necessário. Precisamos do ciúme – aquele ciúme mais razoável que está longe de nos transformar em Otelos – como um alarma de defesa, como a reação da pele perto do fogo. Avisados pelo ciúme, começamos a nos preparar para a possibilidade de perda. Reavaliamos o amado(a), reavaliamos nosso próprio sentimento para com ele, e aos poucos elaboramos o choque da rejeição. Do resultado desse inventário, podemos conseguir forças para lutar pela reconquista, ou conseguir a resistência necessária para suportar a separação. COLASANTI

Bibliografia:

COLASANTI, Marina. E Por Falar Em Amor. 6. ed. Rio de Janeiro: Rocco Ltda, 1984. 312 p.

MOREIRA GRISOLIA, Luíza. Paixao como projeção: Quando esse sentimento aprisiona. Pontifícia Universidade Católica. São Paulo - SP. 2008. 83 pág.

Crie seu negócio online, clique aqui!

Share
© 2024 J. Beven. Rua Floriano Peixoto, 646. Assis Chateaubriand - Paraná 85936076
Desenvolvido por Webnode Cookies
Crie seu site grátis! Este site foi criado com Webnode. Crie um grátis para você também! Comece agora